Eu queria sentar um dia para conversar com Deus e gostaria que ele me falasse tudo o que eu realmente sou, porque muitas vezes não vemos e em outras não queremos admitir. Queria que ele me dissesse tudo que sou pra ele, o que é mau em mim, que me atrapalha a ser a excelência do que tenho capacidade de ser e do que ele quer que eu seja; quais são meus complexos (incluindo aqueles que eu ainda nem tenho noção mas que existem dentro de mim).
Mas eu tenho a impressão de que para o Espírito Santo assim não vale. Tem que sair de mim. Eu tenho que me expôr com alguém que esteja aqui em carne e osso para me ajudar. Carne, osso e Espírito. Espírito de compaixão, de ajuda; alguém que estará guiada pelo Espírito, sendo um receptáculo para ele, por isso eu não preciso temer. Será o próprio Deus a me tratar.
Mas é difícil, viu? Ainda assim é difícil. Porque o receptáculo tem memória. E quando ele não estiver lá tão bem, tão em santidade, tão inclinado a bons pensamentos, sabe? O que será que ele pensará de mim? Por que me preocupo com isso? Porque certamente será com alguém que no mínimo admiro, pois tenho que me sentir "à vontade" para falar, e só de imaginar que alguém pelo qual você tem estima, ama, pensa mau de ti... É péssimo.
Eu preciso confessar os pecados que cometi. Eu preciso tomar a atitude de ir e falar. Porque sentada nada acontece, ainda que seja em oração. Sabe por quê? Porque não é oração tão e somente; é medo, é a escolha do caminho mais fácil. E precisamos urgente deixar o medo. Jesus disse: "não temas". Desde o princípio, do velho ao novo, de juízes a reis, de discípulos a apóstolos é dito: não temas. Até que ele volte é preciso ter coragem e ser firme.
Eu tenho que falar e expôr meu coração como se fosse um baú. Do que adianta alguém dizer para uma outra pessoa, que não conhece um determinado báu, tudo o que tem dentro dele? O que ela poderia fazer? De qualquer maneira, uma hora ela não teria que abrir aquele baú, ela mesma tirar cada coisa que tem lá dentro, vendo por si própria item por item, para que seja possível a reorganização? Assim também é conosco. Não adianta Deus nos dizer, porque não poderemos fazer nada enquanto o baú (nosso coração) estiver fechado. Precisamos trazer à luz todo o seu conteúdo para reorganizá-lo; jogar fora o que tem que ser jogado, tirar a poeira do que é útil mas estava soterrado, e colocar novas e preciosas coisas dentro dele. E nesse processo aprenderemos mais também a sermos irmãos.
Nota: Escrevi isso enquanto ouvia o álbum "The Wind And The Wheat" (1987), de Phil Keaggy.
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