segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O amor de Jesus

Se dependesse de mim, sei lá onde eu estaria. Quando minha alma está inquieta, cheia de dúvidas, tenho que lutar para não tomar distância. Tal como Adão, eu acho que essa é a atitude mais correta. Afinal, talvez eu não tenha mais o direito de pedir entendimento a Deus, de querer que ele fale comigo, já que estou confusa, com dúvida. E como o filho pródigo, eu acho que preciso preparar uma boa explicação para me aproximar do Pai. Escolho as melhores palavras, tento preparar uma boa explicação do que se passa na minha alma para que ele não seja tão duro comigo. Às vezes não tenho vontade de ficar me explicando e acho que o melhor é manter a distância mesmo. Avisto-o de longe. Quando estou quase me virando e indo embora, com essa ideia na cabeça, ele é mais rápido do que eu: corre e me abraça. Outras vezes, quando estou terminando de "ensaiar" meu discurso, insegura ainda mas seguindo em frente, quase lá, seguindo na certeza de que eu preciso chegar até ele, ele também é mais rápido do que eu. Nunca poupa seus abraços. Não faz questão da minha explicação. Seu abraço desvanece meus argumentos. Fico sem jeito, mas com a certeza de que ele me ama.

Há muito tempo que eu imagino como será o final da graduação. Para ser mais específica, eu tenho vontade de fazer uma reunião de ação de graças, e imagino qual será meu testemunho. Antes idealizava uma grande reviravolta, imaginava como poderia relatar que EU superei todos os conflitos e amadureci como cristã. Hoje vejo que tudo é pela graça de Deus. Se eu continuo me voltando para Jesus, apesar do mar revolto e dos redemoinhos é porque Jesus me ama. Eu o amo porque ele me amou primeiro. Por isso eu não tenho mérito algum na firmeza dos meus passos. Se eu continuo me lançando aos seus pés e voltando/apreciando o seu abraço é porque ele não desiste de mim. Ele me ensina o que é um compromisso, o que é sermos um, o que é lutar pelo outro, pelo seu amado(a).

2 Coríntios 12: 9-10 "(...) o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte."

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Breves palavras (2013 ou 2014)

Eu posso andar por aí, querendo me distrair, um pouco impaciente por não conseguir entender ou conhecer mais de você, mas sempre que eu volto percebo que é o seu amor, sua missão e suas palavras, sejam elas duras ou doces, que fazem sentido ao meu coração. São sempre elas. E por mais que seja pouco o tempo que eu passo afastada, distraída, não dando ouvidos, parece que faz tanto tempo. Porque você significa muito para mim, no meu coração.

Dia dos pais (2013 ou 2014)

Paizinho lindo,

Espero que você saiba quão importante é para mim, mas caso sua ideia em relação a isso ainda esteja um pouco turva, tentarei através de algumas palavras iluminar sua mente... E seu coração! :D
Você me lembra o quanto Deus me ama e anseia falar comigo quando liga só para me ouvir.
Sua generosidade me lembra como Deus é generoso e nos dá muito mais do que pedimos, e seus exageros gastronômicos me remetem a como o Pai de amor é Deus de fartura. Hahaha
Seu carinho no meu rosto me lembra o pôr-do-sol de inverno, e quando estou diante de um pôr-do-sol penso que é Deus acariciando meu rosto. Você é a expressão física do amor de Deus por mim, sua paternidade revela a paternidade de quem nos escolheu antes da fundação do mundo.
Junto de Deus e de Jesus, você é o grande amor da minha vida.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sedento de amor

Tu és a fonte
Por isso minha aridez não te espanta
Mas se for preciso
Você adentra o meu deserto
O meu peito deserto
Meu coração deserto
E passa sede por mim
Clamando,
Chamando-me até seus lábios secarem e racharem
Até sua garganta arder

Se for preciso
você adentra meu deserto
Sem recurso nenhum
Disposto a suportar a sede de amor do Pai por mim

sábado, 3 de janeiro de 2015

Adão

Qual terá sido quantidade ou a intensidade louca de desejo que Adão experimentou para experimentar o outro de todas as maneiras possíveis (sem lhe tirar do lugar e honra)? Tatear casa território acessível... Mas o que eu quero falar mesmo é do beijo.
Qual impulso ele experimentou, por que, como ele resolveu experimentar a língua do seu objeto de amor com a sua língua? (Aliás, será que foi ele que teve essa iniciativa? Enfim, digamos que sim. Ainda que não tenha sido, pensemos na possibilidade desse cenário dentro de um matrimônio abençoado por Deus.)
Parece extremamente sem sentido essa pergunta porque já temos naturalizado o beijo como parte da relação. Mas é para quem o mundo inteiro é novidade e não se tem referências? Não tem quem copiar, uma cena cinematográfica pra imitar, um pai pra te contar como é ou ditar as regras, mas um espírito que te guia, que fomenta o desejo em você. (Que te guia sem lhe impor ou determinar os gestos, o ritmo.) Apenas um amigo, que não é vela, mas a própria chama. E ele é tudo, é tudo de que se precisa.
Eu também quero saber. Eu quero conhecer essa medida de afeto.

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2014.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Síndrome de Lucy

O filme Lucy me levou a pensar em mim e na humanidade com nossa falsa expectativa de que podemos dar conta de tudo. De um jeito ou de outro achamos que podemos desvendar todos os mistérios, prever todos os erros  e acertos, descobrir tudo que há de melhor - foi aí que eu me identifiquei.
Sempre que eu descubro uma banda/grupo musical novo e de qualidade, eu fico muito feliz e pensando que a próxima banda está a apenas uma combinação de dígitos de mim. Logo ali na barra de pesquisa do Youtube. Mas quais serão as letras certas? Qual será o próximo nome que aconchegará minha alma com suns melodias?
Eu penso que posso dar conta de tudo, que um dia talvez, com um pouco de criatividade e sorte, eu posso digitar letras que se combinem, e então o youtube me sugerirá um nome e voilá! Eu nao me cansarei das músicas que ouço porque não precisarei ouví-las incessantemente. Eu conhecerei todas as bandas legais! Só que não.
Eu não conhecerei todas as músicas boas, ainda que tenham sido inspiradas por Deus, assim como o homem não desvendará todos os mistérios através da ciência. A medicina não será capaz de produzir uma "bala de prata". As pedras não contarão toda a história para os arqueólogos e geólogos. Mas as pedras falarão, o Espírito Santo distribui o dom de cura e Deus quer nos dar um cântico novo.
Enfim, dentro do contexto que estamos falando, é preciso reafirmar que não conheceremos todas as coisas. E que bom que é assim! Porque a exemplo de Lucy, no filme, nós por termos sido corrompidos, não temos condições para sermos o máximo que deu nos criou para (ou seja, usar 100% do cerebro) e não temos estrutura para conhecermos todas as coisas. E por outro lado, como mostra o filme, aquele que sabe todas as coisas está em todos os lugares, com tudo sob controle, e este é Deus. Não pode ser o homem, porque o homem já teve o governo de tudo que há no mundo, mas o entregou quando comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

"Porque, em parte, conhecemos, e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. (...) Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora,  conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido." I Coríntios 13:9-12

O Sopro e a Gota

Em novembro desse ano eu tive a oportunidade de conhecer uma caverna na região da Chapada Diamantina.  Na verdade o local é chamado de gruta, gruta da Lapa Doce. É um lugar verdadeiramente incrível! Dizem os geólogos, e demais cientistas responsáveis por esse tipo de pesquisa, que a caverna já fez parte do oceano antes mesmo de haver vida na Terra, depois o nível do oceano abaixou e então começou a surgir a vida.
Lá é um local cheio de estalactites e estalagmites, as formações rochosas são belíssimas e fascinantes pela riqueza histórica que carregam em cada traço sinuoso. Não é um local apertado e sufocante, mas sim com salões enormes que  forjam em você o mesmo ritmo lento com o qual o tempo se passa lá, pois assim como um centímetro de estalactite cresce a cada 30 anos, seu corpo leva longos minutos para absorver aquele local, e seu olhar se demora em longos percursos por tantos desenhos, cores (duvidosas), formas e espessuras, com o espanto da boca aberta, com o suspiro que o oceano parece ter se encarregado de ceifar, ainda que há muito tempo já tenha abaixado. 
Após vermos muita coisa, mas com certeza não o suficiente naquela uma hora de visita, o guia nos conduziu a uma experiência tão simples, mas com tanta expressividade e potencial para produção de significados. Ele direcionou todo o grupo que estava com ele a sentar-se sobre algumas pedras em uma lateral da grande caverna, e fez sinal (uma combinação de movimentação da lanterna e assobio) para o guia que vinha atrás de nós silenciar o grupo que vinha com ele. Feito isso, nós também nos silenciamos e apagamos nossas lanternas.
Tudo mudou. A caverna era outra. A escuridão era tão forte que não havia maneira dos meus olhos se acostumarem a ela. Nenhuma luta ali era possivel para alcançar a imagem do que quer que seja. Estavam totalmente impotentes, nada lhes alcançava. Nenhuma sombra restava. Nenhuma forma se apresentava. E por mais que eu soubesse que ainda estava coberta por aquelas rochas suntuosas, sentia tudo tão distante de mim, como se não houvesse mais nada e tudo tivesse ido embora ou talvez eu tivesse ido embora. Talvez eu tenha experimentado a prisão, quando tudo está próximo mas não ao seu alcance, e você está vivo mas ausente, de alguma maneira morto, de todas as formas impotente (quando não há o Espírito). E só resta a esperança de que a luz novamente se acenda.
Mas opondo-se à escuridão imperativa havia algo que marcava presença de maneira firme e delicada. Eram as gotas. As gotas daquelas estalactites, lembra? Elas eram tudo, eram toda a caverna. Como eu não ouvi, como eu não pude perceber antes o movimento e a voz daquele elemento que engendra formas tão maravilhosas naquele lugar? E então o que parecia ser perda (o fracasso da visão) foi o que proporcionou o despertar de um corpo inteiro - ouvidos, pele para sentir a umidade e a temperatura do ar, nariz para conhecer não o ar "vazio" mas a alquimia do conjunto de corpos que ali se encontrava e da água calcária que se lançava num trabalho quase infinito.
E o que as muitas gotas aqui e ali me disseram? Com certeza falavam de algo que eu não podia compreender - a força magnífica que move o mundo. A natureza só sabe falar disso. E é um assunto maravilhoso, que rende por eras, tantas quantas existirem. As gotas levaram meu pensamento longe, muitos séculos atrás, a um sujeito chamado Elias, que era profeta numa terra de prostituição.
Se eu tivesse fugido e estivesse na mesma situação dele (I Reis 19:9-11), eu pensaria que estava tudo acabado, aliás, pior do que isso: Deus quer acabar comigo. Já era. Tudo o que eu fiz, as possibilidades que haveriam daqui pra frente já não são mais. Mas então o vento passou, um terremoto passou, um fogo... E nada. Nada aconteceu. Nada mudou. Elias continuava vivo. Mas no silêncio houve um sopro, que chamou Elias para fora, para continuar, perguntando: "Que fazes aqui, Elias?".
Fico pensando se essa pergunta que Deus fez para Elias não foi como a gota na caverna sem iluminação. Porque apesar do furacão, do terremoto, do fogo, dos fenômenos grandiosos, o que convocou Elias foi uma voz - a voz de Deus. O que despertou e moveu Elias como um todo/com todo o corpo foi a pergunta certa da pessoa certa. Quando o espetáculo de força e poder da natureza cessou (quando tudo se apagou e silenciou na caverna), Elias pôde atentar para o que importa (ele pôde ouvir a gota, o detalhe de máxima importância que está na origem e no desenrolar de toda obra realizada até ali, de toda estalactite e estalagmite). "Que fazes aqui, Elias? "
Será que essa pergunta hoje não serve para você e para mim? Muitas vezes nos "perdemos", ou talvez, melhor dizendo, nos distraímos com ventos que prometem nos arrasar, destruir com tudo, deixamo-nos amedrontar com situações que querem nos sacudir... Paralisamos diante de coisas que parecem sensacionais - uma nova tecnologia, um novo esporte, um carro novo, um salário melhor - e esquecemos da obra que Deus começou e só ele pode terminar. O que parece ganho, lucro, vantagem, se torna perda pois deixamos o que verdadeiramente nos desperta - desperta nosso corpo, desperta a vida.
Será que nessa vida moderna e agitada que levamos, nossos "olhos" não tem estado muito ansiosos por absorver tudo ao nosso redor - todas as formas e cores - mas no entanto estamos deixando de reconhecer o que está na nossa origem - o sopro de vida? Ou então estamos tão ocupados com a nova temporada daquela série super legal, que o chamado *gota* do nosso amigo pra uma tarde com ele passa totalmente despercebido. Aquilo que nos cerca e parece magnífico pode estar apenas roubando nosso fôlego, trazendo espanto não de admiração, mas de medo. Quando tudo se apagar e silenciar haverá ainda tempo e condições de ouvir *a gota e o sopro*, perceber e responder o que realmente importa? Se houver, que bom. Ainda assim, eu te aconselho a não esperar por esse momento, mas continuar no direcionamento de Deus. E você precisa saber que haverá um tempo em que não restará gota ou sopro, mas só escuridão, porque existe uma hora para todo o plano de Deus se completar - o tempo em que a estalactite e a estalagmite se juntam - novos céus e nova terra.
Você sabe o que faz na sua casa? Você sabe o que está fazendo com a sua família? Você sabe o que faz no seu trabalho? O que fazes aqui?

Quando Elias ouviu a voz de Deus, aí sim houve mudança. A caverna era outra. Aliás já não havia mais caverna para ele, mas um caminho.

Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 2014.