Qual terá sido quantidade ou a intensidade louca de desejo que Adão experimentou para experimentar o outro de todas as maneiras possíveis (sem lhe tirar do lugar e honra)? Tatear casa território acessível... Mas o que eu quero falar mesmo é do beijo.
Qual impulso ele experimentou, por que, como ele resolveu experimentar a língua do seu objeto de amor com a sua língua? (Aliás, será que foi ele que teve essa iniciativa? Enfim, digamos que sim. Ainda que não tenha sido, pensemos na possibilidade desse cenário dentro de um matrimônio abençoado por Deus.)
Parece extremamente sem sentido essa pergunta porque já temos naturalizado o beijo como parte da relação. Mas é para quem o mundo inteiro é novidade e não se tem referências? Não tem quem copiar, uma cena cinematográfica pra imitar, um pai pra te contar como é ou ditar as regras, mas um espírito que te guia, que fomenta o desejo em você. (Que te guia sem lhe impor ou determinar os gestos, o ritmo.) Apenas um amigo, que não é vela, mas a própria chama. E ele é tudo, é tudo de que se precisa.
Eu também quero saber. Eu quero conhecer essa medida de afeto.
Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2014.