sábado, 1 de março de 2014

Esse templo que sou eu

Eu sou um templo. Um templo com incenso, mas também com espada. E como se não bastasse isso, ainda tenho guardas ao meu redor. Não sou um templo desguarnecido. Apesar disso eu também vigio, porque a ação dos guardas depende dos meus olhos e do meu comando.
Constantemente devo consultar ao rei se aqui há caminhos maus, câmaras sujas e escondidas a serem derribadas.
Somente o general tem a visão de tudo, e é a ele que constantemente devo recorrer para que me alerte sobre possíveis portas entreabertas a serem fechadas. É com ele que sempre ando. É com ele que sempre desejo estar.ele me ama. Eu também o amo, mas não na mesma medida do amor dele por mim. E sinceramente nem sei se sou capaz, porque ele é infinitamente melhor que eu. Não me sinto confortável em constatar e dizer isso. Mas há paz em saber que estou falando dele, esse que cuia de mim e é misericordioso a cada manhã.
(Eu não consigo nem manter meu cabelo do mesmo jeito por sequer dois dias consecutivos, que dirá algo que eu não posso tocar, que é meu espírito e alma. Mas ele pode. Ele sempre faz o melhor em mim. Sempre aparando as arestas. Dedicado à obra desse templo que sou eu. Ainda não tenho um ânimo constante. Não tenho domínio próprio suficiente. Mas ele começou esse empreendimento. Ele é fiel. Ele mesmo terminará.)
Há um rio que nunca seca nesse templo. Sua fonte fica no esconderijo das palavras que guardei  como lâmpada, sal... Vida. A fonte do rio são as palavras do rei, do meu pai, do único Deus vivo. (Todos os outros que diiam-se ser Deus nunca o foram, além disso foram envergonhados e derrotados pela força do sacrifício feito pelo Príncipe, que venceu a morte. Sim, ele venceu a morte e tomou a chave da sua habitação.)
A fonte também é altar. Tenho que ter muito cuidado  com as sementes escolho lançar (não importa o nível de consciência), porque elas alteram a fonte e até mesmo a natureza do rio, que pode deixar de ser rio para ser como uma represa(?) com  água parada e impura.
Se você pudesse entrar nesse templo, você não veria bancos, mas certamente um jardim fechado acharia, e sua beleza lhe confirmaria que ele é regado e cuidado sobrenaturalmente, por mãos possuidoras de uma destreza muito superior a de qualquer homem. Que mãos são essas?, você se perguntaria. Que mente é essa? Seu coração migra então da simples curiosidade ao desejo de conhecer esse coração que ama tão alto, tão profundo, tão largo e tão comprido... De medidas tão inatingíveis ao homem, não restando tempo, espaço ou qualquer outra possibilidade para compreender. Só resta a redenção.
Prossigamos a conhecer esse coração que cria, planeja tais coisas. Alguém que ama de um jeito que as palavras não alcançam, de um jeito que esse templo é só um esboço pois está limitado à essa matéria corrupta, e graças a Deus, perecível. De um jeito que você só conhece experimentando pessoalmente. Por experiências intransferíveis, como senha de banco. Esse relacionamento é a senha da vida; da vida em abundância.

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