segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Síndrome de Lucy

O filme Lucy me levou a pensar em mim e na humanidade com nossa falsa expectativa de que podemos dar conta de tudo. De um jeito ou de outro achamos que podemos desvendar todos os mistérios, prever todos os erros  e acertos, descobrir tudo que há de melhor - foi aí que eu me identifiquei.
Sempre que eu descubro uma banda/grupo musical novo e de qualidade, eu fico muito feliz e pensando que a próxima banda está a apenas uma combinação de dígitos de mim. Logo ali na barra de pesquisa do Youtube. Mas quais serão as letras certas? Qual será o próximo nome que aconchegará minha alma com suns melodias?
Eu penso que posso dar conta de tudo, que um dia talvez, com um pouco de criatividade e sorte, eu posso digitar letras que se combinem, e então o youtube me sugerirá um nome e voilá! Eu nao me cansarei das músicas que ouço porque não precisarei ouví-las incessantemente. Eu conhecerei todas as bandas legais! Só que não.
Eu não conhecerei todas as músicas boas, ainda que tenham sido inspiradas por Deus, assim como o homem não desvendará todos os mistérios através da ciência. A medicina não será capaz de produzir uma "bala de prata". As pedras não contarão toda a história para os arqueólogos e geólogos. Mas as pedras falarão, o Espírito Santo distribui o dom de cura e Deus quer nos dar um cântico novo.
Enfim, dentro do contexto que estamos falando, é preciso reafirmar que não conheceremos todas as coisas. E que bom que é assim! Porque a exemplo de Lucy, no filme, nós por termos sido corrompidos, não temos condições para sermos o máximo que deu nos criou para (ou seja, usar 100% do cerebro) e não temos estrutura para conhecermos todas as coisas. E por outro lado, como mostra o filme, aquele que sabe todas as coisas está em todos os lugares, com tudo sob controle, e este é Deus. Não pode ser o homem, porque o homem já teve o governo de tudo que há no mundo, mas o entregou quando comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

"Porque, em parte, conhecemos, e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. (...) Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora,  conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido." I Coríntios 13:9-12

O Sopro e a Gota

Em novembro desse ano eu tive a oportunidade de conhecer uma caverna na região da Chapada Diamantina.  Na verdade o local é chamado de gruta, gruta da Lapa Doce. É um lugar verdadeiramente incrível! Dizem os geólogos, e demais cientistas responsáveis por esse tipo de pesquisa, que a caverna já fez parte do oceano antes mesmo de haver vida na Terra, depois o nível do oceano abaixou e então começou a surgir a vida.
Lá é um local cheio de estalactites e estalagmites, as formações rochosas são belíssimas e fascinantes pela riqueza histórica que carregam em cada traço sinuoso. Não é um local apertado e sufocante, mas sim com salões enormes que  forjam em você o mesmo ritmo lento com o qual o tempo se passa lá, pois assim como um centímetro de estalactite cresce a cada 30 anos, seu corpo leva longos minutos para absorver aquele local, e seu olhar se demora em longos percursos por tantos desenhos, cores (duvidosas), formas e espessuras, com o espanto da boca aberta, com o suspiro que o oceano parece ter se encarregado de ceifar, ainda que há muito tempo já tenha abaixado. 
Após vermos muita coisa, mas com certeza não o suficiente naquela uma hora de visita, o guia nos conduziu a uma experiência tão simples, mas com tanta expressividade e potencial para produção de significados. Ele direcionou todo o grupo que estava com ele a sentar-se sobre algumas pedras em uma lateral da grande caverna, e fez sinal (uma combinação de movimentação da lanterna e assobio) para o guia que vinha atrás de nós silenciar o grupo que vinha com ele. Feito isso, nós também nos silenciamos e apagamos nossas lanternas.
Tudo mudou. A caverna era outra. A escuridão era tão forte que não havia maneira dos meus olhos se acostumarem a ela. Nenhuma luta ali era possivel para alcançar a imagem do que quer que seja. Estavam totalmente impotentes, nada lhes alcançava. Nenhuma sombra restava. Nenhuma forma se apresentava. E por mais que eu soubesse que ainda estava coberta por aquelas rochas suntuosas, sentia tudo tão distante de mim, como se não houvesse mais nada e tudo tivesse ido embora ou talvez eu tivesse ido embora. Talvez eu tenha experimentado a prisão, quando tudo está próximo mas não ao seu alcance, e você está vivo mas ausente, de alguma maneira morto, de todas as formas impotente (quando não há o Espírito). E só resta a esperança de que a luz novamente se acenda.
Mas opondo-se à escuridão imperativa havia algo que marcava presença de maneira firme e delicada. Eram as gotas. As gotas daquelas estalactites, lembra? Elas eram tudo, eram toda a caverna. Como eu não ouvi, como eu não pude perceber antes o movimento e a voz daquele elemento que engendra formas tão maravilhosas naquele lugar? E então o que parecia ser perda (o fracasso da visão) foi o que proporcionou o despertar de um corpo inteiro - ouvidos, pele para sentir a umidade e a temperatura do ar, nariz para conhecer não o ar "vazio" mas a alquimia do conjunto de corpos que ali se encontrava e da água calcária que se lançava num trabalho quase infinito.
E o que as muitas gotas aqui e ali me disseram? Com certeza falavam de algo que eu não podia compreender - a força magnífica que move o mundo. A natureza só sabe falar disso. E é um assunto maravilhoso, que rende por eras, tantas quantas existirem. As gotas levaram meu pensamento longe, muitos séculos atrás, a um sujeito chamado Elias, que era profeta numa terra de prostituição.
Se eu tivesse fugido e estivesse na mesma situação dele (I Reis 19:9-11), eu pensaria que estava tudo acabado, aliás, pior do que isso: Deus quer acabar comigo. Já era. Tudo o que eu fiz, as possibilidades que haveriam daqui pra frente já não são mais. Mas então o vento passou, um terremoto passou, um fogo... E nada. Nada aconteceu. Nada mudou. Elias continuava vivo. Mas no silêncio houve um sopro, que chamou Elias para fora, para continuar, perguntando: "Que fazes aqui, Elias?".
Fico pensando se essa pergunta que Deus fez para Elias não foi como a gota na caverna sem iluminação. Porque apesar do furacão, do terremoto, do fogo, dos fenômenos grandiosos, o que convocou Elias foi uma voz - a voz de Deus. O que despertou e moveu Elias como um todo/com todo o corpo foi a pergunta certa da pessoa certa. Quando o espetáculo de força e poder da natureza cessou (quando tudo se apagou e silenciou na caverna), Elias pôde atentar para o que importa (ele pôde ouvir a gota, o detalhe de máxima importância que está na origem e no desenrolar de toda obra realizada até ali, de toda estalactite e estalagmite). "Que fazes aqui, Elias? "
Será que essa pergunta hoje não serve para você e para mim? Muitas vezes nos "perdemos", ou talvez, melhor dizendo, nos distraímos com ventos que prometem nos arrasar, destruir com tudo, deixamo-nos amedrontar com situações que querem nos sacudir... Paralisamos diante de coisas que parecem sensacionais - uma nova tecnologia, um novo esporte, um carro novo, um salário melhor - e esquecemos da obra que Deus começou e só ele pode terminar. O que parece ganho, lucro, vantagem, se torna perda pois deixamos o que verdadeiramente nos desperta - desperta nosso corpo, desperta a vida.
Será que nessa vida moderna e agitada que levamos, nossos "olhos" não tem estado muito ansiosos por absorver tudo ao nosso redor - todas as formas e cores - mas no entanto estamos deixando de reconhecer o que está na nossa origem - o sopro de vida? Ou então estamos tão ocupados com a nova temporada daquela série super legal, que o chamado *gota* do nosso amigo pra uma tarde com ele passa totalmente despercebido. Aquilo que nos cerca e parece magnífico pode estar apenas roubando nosso fôlego, trazendo espanto não de admiração, mas de medo. Quando tudo se apagar e silenciar haverá ainda tempo e condições de ouvir *a gota e o sopro*, perceber e responder o que realmente importa? Se houver, que bom. Ainda assim, eu te aconselho a não esperar por esse momento, mas continuar no direcionamento de Deus. E você precisa saber que haverá um tempo em que não restará gota ou sopro, mas só escuridão, porque existe uma hora para todo o plano de Deus se completar - o tempo em que a estalactite e a estalagmite se juntam - novos céus e nova terra.
Você sabe o que faz na sua casa? Você sabe o que está fazendo com a sua família? Você sabe o que faz no seu trabalho? O que fazes aqui?

Quando Elias ouviu a voz de Deus, aí sim houve mudança. A caverna era outra. Aliás já não havia mais caverna para ele, mas um caminho.

Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 2014.

domingo, 9 de novembro de 2014

"Beija-me com os beijos da tua boca..."

Cantares de Salomão 1:2 - pode parecer sem sentido, um verso vazio - "beija-me com os beijos da tua boca" - mas eu diria que é cheio de razão, uma vez que vivemos em meio a uma geração corrupta, empregnada de prostituição. Não estamos todos sujeitos às mesmas paixões, e mais especificamente nesse caso, aos mesmos desejos lascivos e cheios de carência? Sensualidade, erotismo, carência não podem confundir a todos nós? Então, não é estranho de se pensar que em algum lugar o meu amado esteja suplicando para que eu me preserve para ele. Com o beijo dos MEUS lábios. Que você se guarde de relacionamentos íntimos (enganosos, ilusórios, falsos) que lhe deixarão marcas e não darão em nada, que moldarão nos meus lábios outros beijos (o sabor, a maneira) que não são os meus, e então ele não terá mais o vinho, mas um produto secundário, já processado, com conservantes de arrependimento, amargura ou tristeza (um gosto salgado que as lágrimas deixaram ao escorrer pelo seu rosto, desaguando e banhando sua boca). Ele quer o meu sabor puro, o vinho que vem de mim, sem o ranço de um passado desnecessário. Ele suplica a Deus que o meu coração esteja seguro em Jesus, e que eu também esteja usando os meus lábios para orar pela vida dele.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Minhas observações de Carnaval

1 - Você é tão incentivado a aproveitar um dia tendo que sacrificar o outro! Porque a maneira pela qual você é induzido a se divertir como se fosse a mais top de todas é por meio de muita cerveja, muitos drinks, entre outros entorpecentes, e lascívia. E convenhamos que ressaca, vícios, doenças, desgaste não garantirão a permanência dessa "alegria". São maneiras de curtir que não valem minha sobriedade, já que me sugam e me agridem física e espiritualmente. A vida é tão curta, e justamente por isso deveríamos ter mais cuidado com ela, como disse a apresentadora Darleide Alves.

2 - Tem pessoas que gostam muito de falar da gritaria em alguns locais de reunião da igreja. Será que essas pessoas já assistiram um desfile de escola de samba ou uma partida de futebol? Aliás, essa é uma pergunta muito tola, já que muitas dessas pessoas são facilmente encontradas lá.
Em nenhuma dessas situações a gritaria é boa. Mas por que apresentar esse argumento para generalizar a igreja de Cristo sob um aspecto negativo e como justificativa de se manter longe? Busque conhecer a Cristo. Cristo. Pessoalmente.

Rio de Janeiro, 05/03/2014 (Quarta-feira de cinzas)

sábado, 1 de março de 2014

Roteiro do dia


Siga as instruções:

1 - Vista-se. (Efésios 6)
 Você terá tentações, e sem sua armadura não conseguirá resistir. Isso não faz de você alguém autossuficiente, até mesmo porque você não pode conseguir essas coisas sem seu irmão. Siga-o. Não o perca de vista. Ele é seu Guia, seu General. A autoridade está com ele e ele é mais forte, muito mais forte que você. Você será maldito(a) se confiar na força do próprio braço. (Jeremias 17:5-8)

2 - Be brave! (Josué 1:9 )

3 - Vigie. (E mantenha contato.)  - Mateus 26:41

4 - Haja o que houver, aqui estão coisas com as quais você não precisa se preocupar:
> Mateus 10:18-20
> Mateus 10:28-31
> Lucas 12:22-28
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.

2 Coríntios 4:8-11
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.

2 Coríntios 4:8-11
II Coríntios 4:8-11

5 - Incêndio, enchente nem sempre significam um problema, mas em caso de paixão... Fuja!

6 - Você precisará de um amigo, então não economize palavras com o Espírito Santo.

7 - Você também precisará de uma lanterna. (Não esqueça de pegá-la toda manhã!) - Salmos 119:105

8 - Tenha cuidado com o que você absorve. (Filipenses 3:8)

9 - Não desanime se algo não ocorrer como você esperava.
Meus pensamentos são de paz e são mais altos que os seus.

10 - Precisando de (mais) motivação? (Efésios 2)

11 - Não se aflija. (Filipenses 1:6)

Em todo momento eu te dou cobertura, e guardas do meu exército lhe dão suporte. Não tenha medo, filho(a). Be brave. Não te mandei, eu? Te amo.

Parábola do Baú

Eu queria sentar um dia para conversar com Deus e gostaria que ele me falasse tudo o que eu realmente sou, porque muitas vezes não vemos e em outras não queremos admitir. Queria que ele me dissesse tudo que sou pra ele, o que é mau em mim, que me atrapalha a ser a excelência do que tenho capacidade de ser e do que ele quer que eu seja; quais são meus complexos (incluindo aqueles que eu ainda nem tenho noção mas que existem dentro de mim).
Mas eu tenho a impressão de que para o Espírito Santo assim não vale. Tem que sair de mim. Eu tenho que me expôr com alguém que esteja aqui em carne e osso para me ajudar. Carne, osso e Espírito. Espírito de compaixão, de ajuda; alguém que estará guiada pelo Espírito, sendo um receptáculo para ele, por isso eu não preciso temer. Será o próprio Deus a me tratar.
Mas é difícil, viu? Ainda assim é difícil. Porque o receptáculo tem memória. E quando ele não estiver lá tão bem, tão em santidade, tão inclinado a bons pensamentos, sabe? O que será que ele pensará de mim? Por que me preocupo com isso? Porque certamente será com alguém que no mínimo admiro, pois tenho que me sentir "à vontade" para falar, e só de imaginar que alguém pelo qual você tem estima, ama, pensa mau de ti... É péssimo.
Eu preciso confessar os pecados que cometi. Eu preciso tomar a atitude de ir e falar. Porque sentada nada acontece, ainda que seja em oração. Sabe por quê? Porque não é oração tão e somente; é medo, é a escolha do caminho mais fácil. E precisamos urgente deixar o medo. Jesus disse: "não temas". Desde o princípio, do velho ao novo, de juízes a reis, de discípulos a apóstolos é dito: não temas. Até que ele volte é preciso ter coragem e ser firme.
Eu tenho que falar e expôr meu coração como se fosse um baú. Do que adianta alguém dizer para uma outra pessoa, que não conhece um determinado báu, tudo o que tem dentro dele? O que ela poderia fazer? De qualquer maneira, uma hora ela não teria que abrir aquele baú, ela mesma tirar cada coisa que tem lá dentro, vendo por si própria item por item, para que seja possível a reorganização? Assim também é conosco. Não adianta Deus nos dizer, porque não poderemos fazer nada enquanto o baú (nosso coração) estiver fechado. Precisamos trazer à luz todo o seu conteúdo para reorganizá-lo; jogar fora o que tem que ser jogado, tirar a poeira do que é útil mas estava soterrado, e colocar novas e preciosas coisas dentro dele. E nesse processo aprenderemos mais também a sermos irmãos.

Nota: Escrevi isso enquanto ouvia o álbum "The Wind And The Wheat" (1987), de Phil Keaggy.

Lista de afazeres para a vida

- conhecer pessoalmente a AURORA BOREAL
- fazer primeira viagem conjugal para NEUSCHWANSTEIN ou Lagos Andinos
- ficar em um lugar sem poluição pra ver um CÉU muito estrelado
- viajar com AMIGOS
- ter um DIÁRIO igual do John Winchester (Supernatural)
- ler o CORÃO
- ter uma estante com uma prateleira só de BÍBLIAs
- fazer um INTERCÂMBIO acadêmico/de estudos
- saltar de PARAQUEDAS
- andar de LONGBOARD
- fazer uma viagem de moto (HARLEY DAVIDSON de preferência)
- ir à BETHEL church
- visitar a IHOP
- ir a um concerto do MORMON Tabernacle CHOIR
- participar do URBAN DANCE CAMP (fazer worshops de dança no exterior)
- assistir musicais da broadway na BROADWAY
- assistir a um espetáculo do CIRQUE DU SOLEIL

:)