segunda-feira, 19 de julho de 2010

“Todo sofrimento nos é imposto por causa do desejo.” (Pr. Neil Barreto)

Eu queria ser mais forte e me sentir menos órfã de pai pra que os momentos de aflição não sufocassem tanto meu coração. Mais forte pra impedir que todos os relativos pequenos problemas não se somassem em lágrimas, e menos órfã pra ter mais um colo pra chorar, pra ter mais uma boca pra me ensinar a passar por esse caminho tão sinuoso que um dia já foi percorrido.
Com a notícia de um casamento de 450 homens com meninas de menos de 10 anos, que apanham e são violentadas, sinto que os meus problemas são tão pequenos, indignos de tanta preocupação... Mas eu preciso externar meus conflitos.
O ballet é um ponto vulnerável das minhas emoções e a possibilidade de fracassar ou interromper a trajetória desse sonho é uma injeção de desespero e angústia. Eu desejo a dança e o palco tão intensamente! Mas é como um amor não correspondido, porque quanto mais eu o desejo, mais distante ele parece estar; o tempo vai afastando as possibilidades de alcançá-lo.
Eu não nasci talentosa, mas nasci com vontade de ser. E é isso que me faz tentar toda segunda e quarta-feira uma vez mais, é isso que me faz tentar ser 0,5 cm mais aberta, é isso que me faz tentar curvar meu pé mais 1 cm. E nenhum esforço parece ser suficiente. Eu olho pro longo caminho que tem à frente e não acredito que possa alcançar. Não vai dar tempo. E ele vai me massacrando, me mostrando que talvez eu não seja nada lá na frente, nada além de uma pessoa frustrada, conformada ao invés de realizada. Porque eu não consigo me imaginar feliz fazendo outra coisa.
Talvez essa não seja a vontade de Deus, porque eu sei que Ele quer e tem o melhor pra mim, mas eu tenho tanto medo de que os meus sonhos não sejam os sonhos de Deus, que eu nem o questiono sobre seus reais planos pra mim - simplesmente peço que ele faça a minha vontade. É como se a vontade Dele fosse uma ameaça, por isso eu me "defendo" assim.
Apesar de saber que todos os outros sonhos, anseios e necessidades fluem naturalmente quando a prioridade é o Reino, há em mim uma fé tão infantil que exclui da minha vida o Deus do impossível, o Deus que sonha comigo... Acho que aquelas incríveis histórias de milagres e bençãos são só para os outros, não para mim.
Sim, eu estou mais interessada nas bençãos do que no Reino e eu me sinto um lixo por isso, sendo esse sentimento verdadeiro e não é apenas para aliviar a minha culpa. Mas a verdade é que eu ainda não descobri, não associei ou não consegui fixar em mim o que é de fato esse Reino. Do que ele é feito?
Eu queria que as riquezas tão profundas da Bíblia viessem pra mim da mesma forma que vem pros outros, mas eu não consigo entender a mensagem por trás de grandes, pequenas, simples ou complexas histórias e parábolas. Não consigo desvendar os segredos sozinha.
Eu já aprendi tantas coisas a respeito da maravilhosa graça de Deus, mas ainda não vivo plenamente o amor Dele. Conheço só de ouvir, não vivo esse Deus, ainda estou morta.
E sempre que as circunstâncias da vida me fazem ter consciência de toda essa realidade, eu começo a me rejeitar por tudo o que sou. Até mesmo o que era virtude toma uma máscara feia, torna-se falha. Longe do amor de Cristo não há como eu me sentir segura pra dar o próximo passo, somado aos meus desejos oprimidos que me dizem não valer mais a pena.
Eu tenho muito prazer em descobrir e conhecer a palavra de Deus, mas só consigo fazê-lo através de outros livros ou da sabedoria de outros. Não quero ser mais como menina que só pode receber leite. Quero aproveitar até a última vírgula de toda a verdade que pode dar vida à minha existência, escrevendo um testemunho significativo de relacionamento profundo e íntimo com meu Pai.

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